Sempre houveram histórias (desde que o ser humano aprendeu a falar) sobre heróis, sobre uma busca por algo que parece inatingível. Coisas como honra, dignidade, o bem maior, sempre povoaram os contos passados de boca em boca na antiguidade e também nos livros contemporâneos. A busca sempre fez parte do ser humano. E quem busca algo, é porque sente falta de algo. Vemos as histórias da Grécia antiga, a Odisséia por exemplo, onde a busca era pelo próprio lar do herói. Temos também o Genesis, onde o povo hebreu busca a terra prometida. E podemos lembrar de muitos outros. Sempre há também a figura central de um herói e de seu rival.
O que podemos concluir disso tudo? O ser humano na verdade sempre busca algo que preencherá seu vazio interior. E é sempre algo luminoso, um amor, um lar, uma riqueza que proporcionará prosperidade a todos, enfim, o ser humano busca sua luz.
Vamos colocar então o homem contemporâneo neste contexto: qual é a busca atual? O que queremos? E onde buscamos o que queremos?
Hoje, vemos pessoas buscando preencher seu vazio interior nos objetos materiais. Existe uma busca consumista quase que insana, onde as pessoas colhem mais frustrações do que glórias. E mesmo aqueles que conseguem adquirir os bens materiais que desejam continuam a buscar mais, por que os bens materiais servem apenas ao corpo material, e o vazio que temos é abstrato, está nos níveis da alma, do espírito, da psique (como queiram chamar).
Temos então o herói (o homem/mulher comum) e seu rival (seu próprio ego). Como é possível vencer essa batalha, se as forças do ego são muito superiores? Do seu lado temos a sociedade que nós mesmos criamos e que diz que “ter” é tão ou mais importante do que “ser”, temos os espelhos sociais, onde vemos outras pessoas portanto objetos que despertam nosso desejo, que demonstram status, conforto, posição, ascensão social, e que acabam se tornando necessárias, pois que todos concordamos que são necessárias.
Mas mesmo tendo todas essas coisas, ainda falta algo. Temos clássicos exemplos de pessoas abastadas que estão entregues aos mais variados vícios. E por que uma pessoa tem vícios? Porque lhe falta algo. O vício serve para preencher esse vazio interior.
Vemos então que este vazio acaba nos levando uma busca eterna que nos faz agir como um cachorro perseguindo o próprio rabo. É preciso encontrar o que vai realmente nos preencher, e encontramos esse algo na serventia. Quando servimos ao próximo e somos úteis, quando somos luz e iluminamos alguém, aí sim, nos sentimos completos, pois esta é a razão de toda a existência: SERVIR.
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